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“Eu não pechinchei por isto”

Fruit-Market-in-Rocinha-Favela
FEIRA LIVRE – “Eu não pechinchei por isto” Belo Horizonte, MG – Brasil – Outubro de 1967

Logo de manhã, antes do sol nascer, as pessoas montam suas tendas na feira livre.
Esta feira tem cerca de duas quadras de comprimento e as barracas são colocadas nos dois lados da rua principal, perto do aeroporto.

Eu caminho de casa até lá, levando três sacolas grandes descendo uma colina em uma trilha de terra por cerca de duas quadras, em seguida mais meia quadra de uma rua pavimentada, onde mulheres estão varrendo suas calçadas.

Eu tenho à mão uma lista contendo a tradução dos nomes das frutas e legumes, de modo que, se as pessoas que trabalham nas barracas não entenderem meu sotaque, eu posso lhes mostrar o nome da fruta que eu quero.

Eu calculei cuidadosamente que ½ kilo equivale a 1.1 lb., 1 kilo = 2.2 lb., 250 gramas = ½ lb. Vejo de perto o movimento do vendedor colocando os pesinhos da balança de um lado e do outro empilhando as frutas e legumes até dar o peso certo.
Tenho a lista dos nomes sempre em mãos, porque ainda não estou conseguindo falar bem certas palavras como pera (pear), goiabada (guava), mamão (papaya), cenoura (carrot), alface (lettuce) …e oh ! Muitas mais!

Um dos meninos carregadores que ganham dinheiro levando as sacolas aparece para ver se eu necessito de ajuda. Três sacolas = 3 meninos. A negociação de quem são os escolhidos foi concluída: eu dei uma sacola para cada um e voltei para minhas compras.
Cerca de cinco minutos mais tarde eu ouvi as crianças atrás de mim rindo. Eu me virei para ver do que eles estavam rindo e para meu desapontamento era de mim! Eu voltei para minhas compras tentando ignorar as risadas.

Mas eu não pude ignorar aquela risada exagerada, então me virei para olhar novamente. Agora não eram mais os três meninos, mas cerca de 8 meninos me seguindo; cada vez que eu digo alguma coisa para alguém na barraca eles começam a rir, alguns deles até rolam no chão – rindo da maneira como falo.

Estou contrariada. Eu não me atrevo a deixá-los a perceber o quanto eles estão me chateando, então me viro, termino minhas compras e coloco o resto das frutas e vegetais nas sacolas e me dirijo para casa. Enquanto caminho, eu oro pela gangue inteira para que não me sigam no caminho para casa. Obrigada Deus, eles não o fizeram! A atração de ganhar algum dinheiro carregando sacolas para outros no mercado foi mais forte do que serem capazes de rir de uma senhora estrangeira e seu bárbaro assassinato da língua portuguesa.
Enquanto eu caminho de volta para casa pela ladeira, em meio ao calor da manhã, aquelas sacolas ficaram pesadas para aqueles meninos carregarem, mas eu não sinto compaixão. Eu continuo muito zangada. Quando chegamos em minha casa eu paguei pela ajuda deles: eles agradeceram e voltaram rindo caminho abaixo.

Eu carrego para dentro da casa as sacolas pesadas com essas frutas e vegetais de nomes estranhos: então eu bato a porta – COM FORÇA!

Minha família olha para mim, assustada. – “Mãe, qual é o problema?” Minha voz quase falha e eu respondo exaltada entre lágrimas e risos: –É algo que os adultos irão rir quando eu falar, mas EU NÃO CONTAVA COM ISSO – TER AS CRIANÇAS DE RUA ROLANDO NO CHÃO RINDO, TODA VEZ O QUE EU ABRIA MINHA BOCA PARA DIZER ALGUMA COISA”

Eu queria ir para o quarto e chorar muito! Em vez disto, fui para a cozinha – para pegar água gelada, refrescar a cabeça, e começar a limpar e guardar os legumes e frutas que eu havia comprado.
Enquanto trabalho, eu tenho uma conversa detalhada com Deus a respeito de toda a situação. Lentamente me acalmo. Sim, meu orgulho foi ferido – mas eu também ri um pouco. “Aqueles meninos definitivamente se divertiram … e eu penso que eles não devem ter muitas oportunidades para diversão – mesmo que fosse às minhas custas”. Mas, oh! Querido Senhor, isto vai acontecer novamente na próxima feira livre? SOCORRO!

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Eu me pergunto; quantas vezes você se encontrou em situações que você não pechinchou? Que supostamente não deviam fazer parte da sua vida? Você riu disto? Fez você se sentir tola?

Uma coisa eu tenho que continuar perguntando para mim mesma:
“A minha autoestima está baseada no que os outros pensam sobre mim?”

Ou sobre o fato de que Deus me chama como seu filho e Jesus Cristo, o Filho de Deus me chamar seu amigo?  E na realidade sempre presente que sou amada por Ele! Obrigada Pai e Senhor

“ Busquei o Senhor, e ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores.” Salmos 34:4 NVI

– Voni

Meus agradecememtos para estas duas mulheres!
Tradução: Maria Elí Carneiro dos Santos
Revisora: Maria Judith Prado Menga

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